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25-05-2008
O Giocondo

Tudo o que eu fizer depois disso
será obra menor,
capricho de artista.
Minha obra-prima já foi escrita.
Rima pobre
verso manco,
romance sem clímax,
Personagens planos
e líquidos.
É tudo assim ínfimo
comparado
a Fernando,
ainda quando
recém-chegado,
recendendo
a pequenino.
Passei quase um ano
pensando
um homem,
arquitetando, alimentando,
construindo
e deu nisso:
meu Giocondo,
enigmático,
sereno,
em seu semi-sorriso.
Tão perfeito
que por pouco não me gabo
de que já nasceu acabado
e que não precisa ainda
de umas lapidadas
e mãos de tinta.
Porém sei que um filho
não é uma obra de carne
ou arte
emoldurada e pronta,
mas uma alma em obra
pintando-se,
aperfeiçoando-se
e abrindo-se
para o infinito.
Resta-me agora desfazer
o principal enigma,
maior ainda que o sorriso esfinge
de Mona Lisa:
achar sabedoria
para ajudar a transformar
em espírito sólido de homem
a esboço corpóreo
do menino.
Aos sete dias do nascimento de Fernando.
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